26 August 2007

Body Builder



Se o homem não descende do macaco porque é que há tantos homens a quererem parecer-se com eles?

Ficha técnica: Para quem não está familiarizado com os processos cerâmicos aquí fica a informação de que todas as esculturas cerâmicas são ocas e que por isso é muito importante nunca descurar pequenos orifícios de saídas de ar. Se o não fizer temos desgraça dentro do forno pois ao dilatar durante a cozedura se o ar dentro da peça não tiver saida provoca a explosão da peça. A mais pequena distração é a morte do artista.

19 August 2007

Antes e depois ou o que eu vejo o que tu vês

A peça já seca mas ainda por "cozer"

A peça após a cozedura de vidragem (terminada)

A peça de perfil

A peça que eu imaginei foi um exibicionista que na forma clássica abre uma gabardina e expõe o orgão sexual. Mas ao fazer a peça decidi ir um pouco mais longe e dos testículos sai uma outra peça mais pequenina. Em termos de sexo ou de comportamentos sexuais sempre me intrigou porque existem tantos e tão variados. Qual será a origem do comportamento de um exibicionista? Será que os comportamentos sexuais são genéticamente transmissíveis?

Esta foi a minha intenção. No entanto quando a maior parte das pessoas observou esta peça sem qualquer explicação viu uma coisa totalmente diferente. Acharam que se tratava da "maternidade".

Se observarem bem a peça (e em geral na maior parte das minhas peças) a cabeça, os olhos, a boca ou os braços....raramente correspondem à forma humana clássica. Não quero fazer "Vénus de Milo" ou esculturas cerâmicas super perfeitas. No meu acto criativo impera a imaginação e o vale tudo. Quer dizer que os olhos de uma figura humana podem ser pequeninos como os de um porco ou que os braços podem ser duas pernas de sapateira.

Esta é a minha visão de arte em cerâmica.

Ficha técnica: peça executada em terracota com chamota, cozida a 1000ºC e decorada com óxido de manganês e vidrado de baixa temperatura.


16 August 2007

A veia jocosa e o teste da bochecha

O Opel Corsa saiu do parque de estacionamento fazendo uma curva apertada acompanhada de um ruidoso chiar de pneus. A GNR atenta mandou parar a viatura.
-Boa noite minha senhora! Importa-se de sair do veículo?
Aí o agente da autoridade notou um brilho nos olhos da condutora e um certo nervosismo.
-Estamos a fazer control de substancias proíbidas: Por favor passe esta palheta 15 vezes na bochecha esquerda, depois na bochecha direita e a seguir debaixo da lingua.
Feito o teste diz o cabo para o sargento: -Oh meu sargento! O teste para substancias proíbidas é inconclusivo mas acusa aqui algumas coisas muito estranhas: uma substancia estimulante, esperma e nicotina.
A condutora interpelou o sargento e disse-lhe: -Ah, isso eu posso explicar, é que eu e o meu namorado estivemos alí no estacionamento a curtir. Primeiro bebi um "Red Bull", a seguir com as asas que isso me deu fiz sexo oral e como de costume depois fumei um cigarrinho. Não é proíbido, pois não Senhor Guarda?

Ricardo Casimiro

12 August 2007

A mente perversa e a inconfidência

"Apontamento do Quotidiano"

Ia eu a caminho da praia via transportes públicos quando durante a travessia do rio Tejo, num barco com muito poucas pessoas se ouviu um ruidoso toque de telemóvel. A dona do dito na casa dos 25, mastigando uma pastilha elástica, e lendo uma revista, lá atendeu em alta voz como se estivesse em casa.
-Ah, és tu outra vez?...Pois, mas olha lá, a minha mãe ontem comeu iscas e depois lavou-se por baixo...

Eu, que com o tom de voz da senhora tinha focado as antenas na conversa, não queria acreditar no que tinha ouvido. Aí a mente perversa começou a congeminar. Qual a relação entre os dois factos? Quais as consequências, se é que as houve...Seriam mesmo iscas com elas (as batatas cozidas, claro) ou as iscas eram sentido figurado?
Perversamente lembrei-me das mulheres da idade da minha mãe (93 se ainda fosse viva) a quem um dia ouvi dizer, quando eu ainda era criança e não sabia do que estavam a falar:
-Ela não come chouriço, prefere fressura.

Que outra razão poderia haver para comer "iscas" e a seguir "ir lavar-se por baixo"?

Moral da estória: O que as pessoas dizem em qualquer lado ao telemóvel sem se darem conta dos ouvidos indiscretos que as possam escutar!!!

PS: Gostaria de ter ilustrado esta estória com uma peça cerâmica, mas infelizmente a nossa máquina fotográfica digital está em reparação...

05 August 2007

O piolho e a passarinha careca...


O piolho

A passarinha careca

...é o título da segunda obra com que participo na VIII Bienal de Aveiro. Esta obra faz parte da série "Contos Paranormais". Quando eu era professor de português a estrangeiros encontrei numa feira de livros usados um pequeno livro de fábulas escritas por Leonardo DaVinci. Nesse livro existe uma fábula intitulada "A pulga e o carneiro" em que a pulga passa de um cão para um carneiro, fascinada pela abundancia da lã mas infelizmente tal ambição revela-se catastrófica pois a pulga não consegue chegar à pele do carneiro e acaba por morrer à fome.

Esta foi a inspiração para a minha obra "O piolho e a passarinha careca". Este foi o título politicamente correcto para figurar num catálogo patrocinado pelo IPM. No entanto secretamente eu continuo a chamar-lhe "As passarinhas carecas são menos atreitas ao piolho quando se roçam no pau de Cabinda". A passarinha sentindo-se careca e por isso menos atractiva olha para o piolho com um olhar lânguido e suplicante como que a dizer "Anda lá, salta-me para cima e faz-me sentir desejada".

Nesta minha fábula é a passarinha que deseja o piolho ao contrário da de Leonardo DaVinci em que a pulga deseja o carneiro sem saber no que se estava a meter.

PS: Escusado será dizer que esta fábula é também uma metáfora.

Tecnicamente em termos de cor, esta obra é uma das que melhor resultado obtive através da tecnica usada, aplicação de vidrados e posterior lavagem. Praticamente a peça não parece estar vidrada.