10 August 2008

Quando a esmola é muita o fisco desconfia

O ogre e a formiguinha

Peça inspirada na estória do escorpião que pediu ajuda a um outro animal de maior porte para atravessar o rio mas que a meio do rio não resitiu à sua natureza e picou o outro animal.... peça que faz parte da série "Contos Paranormais" e foi doada juntamente com outras ao Museu de Olaria de Barcelos.

Não gostaria de ter de fazer esta publicação no meu blog mas não pude resistir a vos contar o porquê. Há anos que faço donativos ao Banco Alimentar Contra a Fome e a uma instituição de solidariedade religiosa. O ano passado fiz também um donativo de várias peças cerâmicas ao museu....
Depois de fazer a declaração de IRS recebi uma notificação em carta registada para me dirigir à repartição de finanças da área da minha residencia para fazer prova dos benifícios fiscais. Vai daí lá vou eu às finanças com a papelada e perdi 45 minutos para lhes mostrar os comprovativos.
Acontece que para quem não sabe os donativos só são válidos quando acompanhados de declaração dos mesmos com indicação do número de identificação fiscal das entidades que os receberam. Daí o meu espanto em ter de perder tempo nas finanças. Então o senhor fisco não podia teclar o número fiscal das entidades e comprovar os meus donativos? Ainda para mais quando eu fiz um donativo ao próprio estado!?

PS. Acontece que eu acredito que é preciso dividir para multiplicar. A solidariedade nunca fez mal a ninguém mas também não precisa de ser apregoada ao vento.

09 August 2008

Cerâmica e criatividade


Peça de 2004
Como ceramista nunca me interessou fazer repetidamente a mesma peça. Interessei-me sempre pela possibilidade que a cerâmica tem de experimentar diferentes técnicas e ao mesmo tempo reinventá-las. Esta peça, ainda que não pareça, foi feita à lastra, aliás como quase todas as minhas peças, a partir de "barro preto" a que juntei chamota. No interior coloquei barbotina branca e no exterior terra sigilata produzida a partir de barro vermelho. Depois de ligeiramente seca raspei parte da terra sigilata ficando assim a notar-se o barro preto dando esta ideia de "laivos". Depois veio a paciencia de chinês, isto é, polir todo o exterior da peça com a parte convexa de uma colher de sopa. Após a chacotagem da peça a mesma foi encerada com cera de abelhas e polida com um pano.

03 August 2008

(Touro) Lutador de Sumo

Peça de suspensão em grés, 2007
Esta peça foi exposta o ano passado em Leiria e está algures no meu atelier.

02 August 2008

Desabafo

2008 está a ser o ano do desencanto. Desde o início do ano que tenho tentado manter vivo o espírito e mostrar ao público o meu trabalho. Em vão. Enviei curriculos, expus projectos e apresentei propostas. Como eu não trabalho em cima do joelho escusado será dizer que tudo foi bem apresentado e ilustrado.
Mas a estrelinha tem estado encoberta por densas nuvens. A maior parte das entidades nem às malvas me mandou. Uma célebre Cooperativa do Porto respondeu-me seis meses depois para me informar que agora só organizam exposições por convite. Um museu respondeu-me que só tinha vaga em agenda em 2010. Outro nem "nim" nem "são". Ao meu pedido pessoal de ajuda disse nada.
Agora os concursos internacionais. Alcorá rejeitou a minha proposta, bem como outro concurso internacional na Austrália.

Peça proposta para a Austrália

Resta-me ver o que vai acontecer no concurso na Coreia 2009, mas provávelmente o mesmo que em 2007 (proposta não aceite). A cerâmica figurativa, como é o meu trabalho, é muito difícil de agradar a gregos e troianos e em especial a quem vê ainda a cerâmica como pratos e jarras ou mais actualmente "cerâmica de design". Ah e estava a esquecer-me do "chamado concurso de design do Museu Berardo"......Obrigado pela sua participação mas não foi seleccionado; temos a certeza que outras oportunidades haverá....

Peça protótipo proposta ao Museu Berardo

Pois é, e a loja do Museu onde as peças iriam ser comercializadas afinal vai ser adjudicada a uma terceira identidade através de concurso. Em que é que ficamos afinal?!....
Se calhar o melhor é fazer pratos e jarras ou quiçá galos de Barcelos (sem desprimor para os ditos). Eu para dizer a verdade eventualmente vou optar pela vernácula loiça das Caldas. Daquela que se vende por baixo da bancada.

Ricardo Casimiro

P.S. E depois admiram-se do Van Gogh ter automutilado uma orelha. Certamente não foi para se ver livre da pulga.