30 November 2008

Natal 2008

Conjunto de três carrapatos simbolizando as figuras principais do presépio. Construidas em grés.

Ricardo Casimiro Cerâmica deseja a todos os amigos e visitantes deste blog Um Bom Natal e um Feliz 2009.

23 November 2008

Bobi, o orgulho da dona

Montagem composta por 10 peças de baixo relevo executadas em grés.

Acreditem ou não, mas esta composição em cerâmica está feita há mais de três anos e guardada numa gaveta. Recentemente tive um "vipe" e veio-me à memória a existencia desta obra. Um dia terá direito à respectiva montagem com moldura. A moldura que se vê na segunda fotografia é velha e de madeira, mas a posição não é a correcta. Foi só para o boneco.


16 November 2008

Espaço Opção - Porto

Eu e a Sofia Beça na inauguração do novo espaço Opção no Porto, na Rua Formosa 170 (ver blogue da Sofia Beça para localização).

PS: Eu como de costume não fico muito bem nas fotografias. Nesta estou de boca aberta...

15 November 2008

O papagaio da Dona Rosa

Todas as noites antes de ir para a cama a Dona Rosa tapava o papagaio. Quando se levantava destapava-o e ele todo alegre papagueava - "Bom dia Dona Rosa. Bom dia Dona Rosa."
Naquela manhã esplendorosa a cena repetiu-se mas logo de seguida bateram à porta. Era o marido da Dona Rosa, embarcadiço, que regressava de três meses no mar.
A Dona Rosa apressou-se a tapar o papagaio e ambos correram para o quarto. Foi então que o papagaio gritou de dentro da gaiola - "Oh Dona Rosa, mas que dia tão curto!!"

Tal como o papagaio da Dona Rosa o "descomplexado" que pensava que ia ficar no Porto me sussurrou ao ouvido - "Oh paizinho, mas que estadia tão curta."

PS: É que o complexado e mais uns quantos irmãos foram ao Porto para ficar lá, mas regressaram a Lisboa no mesmo dia .... A pulga, essa sim, ficou por lá.

Complexado? Quem?! Eu?!

22x15x09 cm, grés, óxidos e vidrados, 1200ºC

Este Mouro cansado de Lisboa mudou-se para o Porto este fim-de-semana. Depois dou novidades. Carago!!

18 October 2008

Oh! Não!!

Dim: 23x09x09 cm; Mat: grés, vidrados, cozedura 1200ºC.
Peça de suspensão.

Em várias circunstancias autodenominei-me "anarquista". Gostaria de explicar aqui o porquê desse adjectivo. Anarquista é por definição aquele que não respeita as regras estabelecidas. Acontece que no meu trabalho o que mais me faz vibrar é o desafio de encontrar formas de combinar diferentes elementos para compor uma peça. Há muitos, muitos anos vi uma peça de cerâmica contemporânea de um autor japonês, no British Museum em Londres, que me surpreendeu ao segundo olhar. Era uma peça fálica à primeira vista. No entanto olhando mais atentamente não se tratava mais do que uma beringela e dois frutos arredondados.

Ao representar a figura "aparentemente" humana tento usar tudo o que me vem à imaginação para representar boca, olhos, orelhas, braços, pernas, etc. É esta composição anárquica de formas que me leva a maliciosamente me considerar um ceramista anarquista. Esta peça aqui por mim designada "oh! não!!" é formada por um conjunto de vários pénis mais ou menos óbvios.
PS: A malícia está no olhar....

12 October 2008

Num circo de pulgas tudo é possível

Absurdo, grotesco, fantástico, imaginativo, anarquico...

Envie-me o seu adjectivo para o meu trabalho e eu publicá-lo-ei.

05 October 2008

Cãorino


Esta peça é composta de duas partes. A peça própriamente dita e uma base de apoio. Como é hábito feita em grés, colorida com óxidos e vidrados.

Imaginem uma noite selvagem de "rave" no jardim zoológico. Alguns meses depois para espanto dos tratadores começaram a nascer exemplares fantásticos como este aqui descrito. Resultado de uma paixão escaldante entre uma rinoceronte e quem sabe um pitbull ou qualquer outro rafeiro.

27 September 2008

O guardador de sonhos



Uma das coisas que me "irrita" são algumas peças cerâmicas muito "certinhas". Daí que me desafio muitas vezes a fazer peças que desafiam o convencionalismo. Imaginei portanto uma peça que estivesse sentada mas aparentemente em quase desiquilíbrio. O título algumas vezes surge depois da peça feita. Durante um ou mais dias sento-me a olhar para a peça e a imaginá-lo. O título desta peça surgiu da reminiscência da personagem "Belimunda" do Memorial do Convento de José Saramago.

21 September 2008

Anão bailarino



Só danço em pontas

Olá gente!

Estou de volta, agora que o verão acabou e que encerrei a época balnear. Ainda não voltei ao trabalho. Quer dizer meter as mãos na massa. Como há muito tempo não publicava nada no blog lembrei-me desta peça que faz parte da série "Anões".

10 August 2008

Quando a esmola é muita o fisco desconfia

O ogre e a formiguinha

Peça inspirada na estória do escorpião que pediu ajuda a um outro animal de maior porte para atravessar o rio mas que a meio do rio não resitiu à sua natureza e picou o outro animal.... peça que faz parte da série "Contos Paranormais" e foi doada juntamente com outras ao Museu de Olaria de Barcelos.

Não gostaria de ter de fazer esta publicação no meu blog mas não pude resistir a vos contar o porquê. Há anos que faço donativos ao Banco Alimentar Contra a Fome e a uma instituição de solidariedade religiosa. O ano passado fiz também um donativo de várias peças cerâmicas ao museu....
Depois de fazer a declaração de IRS recebi uma notificação em carta registada para me dirigir à repartição de finanças da área da minha residencia para fazer prova dos benifícios fiscais. Vai daí lá vou eu às finanças com a papelada e perdi 45 minutos para lhes mostrar os comprovativos.
Acontece que para quem não sabe os donativos só são válidos quando acompanhados de declaração dos mesmos com indicação do número de identificação fiscal das entidades que os receberam. Daí o meu espanto em ter de perder tempo nas finanças. Então o senhor fisco não podia teclar o número fiscal das entidades e comprovar os meus donativos? Ainda para mais quando eu fiz um donativo ao próprio estado!?

PS. Acontece que eu acredito que é preciso dividir para multiplicar. A solidariedade nunca fez mal a ninguém mas também não precisa de ser apregoada ao vento.

09 August 2008

Cerâmica e criatividade


Peça de 2004
Como ceramista nunca me interessou fazer repetidamente a mesma peça. Interessei-me sempre pela possibilidade que a cerâmica tem de experimentar diferentes técnicas e ao mesmo tempo reinventá-las. Esta peça, ainda que não pareça, foi feita à lastra, aliás como quase todas as minhas peças, a partir de "barro preto" a que juntei chamota. No interior coloquei barbotina branca e no exterior terra sigilata produzida a partir de barro vermelho. Depois de ligeiramente seca raspei parte da terra sigilata ficando assim a notar-se o barro preto dando esta ideia de "laivos". Depois veio a paciencia de chinês, isto é, polir todo o exterior da peça com a parte convexa de uma colher de sopa. Após a chacotagem da peça a mesma foi encerada com cera de abelhas e polida com um pano.

03 August 2008

(Touro) Lutador de Sumo

Peça de suspensão em grés, 2007
Esta peça foi exposta o ano passado em Leiria e está algures no meu atelier.

02 August 2008

Desabafo

2008 está a ser o ano do desencanto. Desde o início do ano que tenho tentado manter vivo o espírito e mostrar ao público o meu trabalho. Em vão. Enviei curriculos, expus projectos e apresentei propostas. Como eu não trabalho em cima do joelho escusado será dizer que tudo foi bem apresentado e ilustrado.
Mas a estrelinha tem estado encoberta por densas nuvens. A maior parte das entidades nem às malvas me mandou. Uma célebre Cooperativa do Porto respondeu-me seis meses depois para me informar que agora só organizam exposições por convite. Um museu respondeu-me que só tinha vaga em agenda em 2010. Outro nem "nim" nem "são". Ao meu pedido pessoal de ajuda disse nada.
Agora os concursos internacionais. Alcorá rejeitou a minha proposta, bem como outro concurso internacional na Austrália.

Peça proposta para a Austrália

Resta-me ver o que vai acontecer no concurso na Coreia 2009, mas provávelmente o mesmo que em 2007 (proposta não aceite). A cerâmica figurativa, como é o meu trabalho, é muito difícil de agradar a gregos e troianos e em especial a quem vê ainda a cerâmica como pratos e jarras ou mais actualmente "cerâmica de design". Ah e estava a esquecer-me do "chamado concurso de design do Museu Berardo"......Obrigado pela sua participação mas não foi seleccionado; temos a certeza que outras oportunidades haverá....

Peça protótipo proposta ao Museu Berardo

Pois é, e a loja do Museu onde as peças iriam ser comercializadas afinal vai ser adjudicada a uma terceira identidade através de concurso. Em que é que ficamos afinal?!....
Se calhar o melhor é fazer pratos e jarras ou quiçá galos de Barcelos (sem desprimor para os ditos). Eu para dizer a verdade eventualmente vou optar pela vernácula loiça das Caldas. Daquela que se vende por baixo da bancada.

Ricardo Casimiro

P.S. E depois admiram-se do Van Gogh ter automutilado uma orelha. Certamente não foi para se ver livre da pulga.

27 July 2008

A cerâmica contemporânea ficou mais pobre

Peças de Armando Correia presentes na 5ª Mostra de Cerâmica Contemporânea de S. Martinho do Porto

Faleceu Armando Correia no passado sábado 26 de Julho aos 72 anos. Era um Artista que utilizava a Cerâmica como veículo de expressão. Pintava quadros e desenhava tambem, mas foi através da Cerâmica que se tornou conhecido. Dotado de uma enorme capacidade criativa e uma técnica impar, criava peças de grande beleza que demonstravam uma enorme sensibilidade. Foi Vice Presidente da Associação de Cerâmica "Colectivo 3 cês" e foi certamente uma referência para muitos ceramistas que tinham grande respeito e admiração por ele e pelo seu trabalho. Ficará na memória daqueles que tiveram o previlégio de o conhecer. A Cerâmica, essa ficará certamente mais pobre.

26 July 2008

Ainda sobre Cáceres

Torre de Sande, Cáceres

Em toda a Estremadura espanhola é possível ver cegonhas a voar ou a alimentarem-se. A cidade de Cáceres, particularmente o centro histórico, é bem conhecida pelas suas cegonhas que nidificam em tudo quanto é campanário ou qualquer outro ponto alto dos seus edifícios. Os dejectos destas cegonhas podem ser um inconveniente, mas vê-las majestosas empoleiradas lá no alto é um espectáculo.

20 July 2008

Fim-de-semana em Cáceres

No passado fim-de-semana de 12/13 de Julho fomos a Espanha. Mais precisamente a Cáceres para visistar a nossa amiga Amparo Campa. Cáceres é uma cidade medieval, com o centro histórico muito bem preservado, única na Europa e Património Mundial da Humanidade.
Nós adoramos Cáceres e só fica a três horas de Lisboa, um bocadinho para lá de Badajoz. Estas são algumas das fotografias. Ricardo, Roland, Sandra (a mais jovem) e Amparo (a mais elegante e chic com a sua malinha da marca Loewe).






18 July 2008

Estou a banhos

Até ao fim do mês estou de férias na Fonte da Telha. Ecologista, anarquista e sabe-se lá que mais, era de esperar támbem nudista. Ou devia dizer naturista.
Enfim, eu defendo o princípio de que se Deus tivesse querido que eu andasse sempre vestido tinha-me mandado ao mundo já com cueiros.

13 July 2008

Só ando em andas

Peça da série "Anões" de 2005, grés, 1200ºC

E há tantos por aí que não andam em andas mas a toda a hora se põem em bicos de pés.

05 July 2008

O descanso do cornaca



Peça em grés de 2005.

Há quase quarenta anos vi num antiquário uma série de gravuras em que um autor de que não me lembro o nome tinha representado vários/as proprietários/as de cães. As imagens descreviam como os amantes do fiel amigo acabam por ficar parecidos com os próprios cães ou vice-versa. Este é um exercício que qualquer pessoa pode fazer observando no dia a dia as pessoas que passeiam o lulu ou qualquer pitbull.

Daí eu ter imaginado esta peça em que o cornaca que vive em símbiose com o seu elefante acaba por se parecer com ele. Ambos trombudos. A base da peça, dividida verticalmente em quatro partes, simboliza de vários ângulos as patas do elefante. O pormenor da suposta cauda do elefante ter dois pequenos olhinhos por cima corresponde a uma incontrolável tentação minha de tornar as peças mais interessantes ao observador. Nunca nada é tão simples quanto parece!

02 July 2008

Encontrou dono...

....em São Martinho do Porto. Peça de suspensão com braços articulados e a possibilidade de dar diferentes inclinações à cabeça. Os laivos que se notam na peça são consequência da mistura de pastas de grés com diferentes colorações.

01 July 2008

Disse adeus ao criador


e imigrou para a Alemanha porque isto aqui não dá....

PS: Chegou o cheque com o prémio da Bienal de Aveiro. Os €5000 ficaram reduzidos a €3250 após dedução de 35% para retenção na fonte.

27 June 2008

Paciência de Chinês

Das peças expostas na Mostra de Cerâmica em São Martinho do Porto a que mais me surpreendeu foi esta taça em grés feita pelo ceramista Miguel Neto. Não sei exactamente as medidas, mas friso que é bem grande e fininha.

Pormenor da parte exterior da peça. Disse o autor que levou uma semana a fazê-lo.


Duas peças de suspensão aqui apresentadas montadas em caixas de madeira recicladas de embalagens de garrafas de vinho feitas por mim.

Em cima da minha bancada pus um pequeno caderno e uma caneta para as pessoas poderem registar a sua opinião sobre o meu trabalho. A maior parte dos comentários foram feitos por jovens adolescentes. No entanto realço este escrito pela Sra. D. Mafalda Jorge de São Martinho do Porto - "Abençoadas as mãos. Sem palavras. Continuem."

26 June 2008

Obrigado Esther!

Durante a Mostra de Cerâmica em São Martinho do Porto ficámos em casa de uma senhora dinamarquesa que foi casada com um português e é enfermeira na Nazaré. Também ela apoia a iniciativa e normalmente aloja ceramistas sem lhes cobrar nada. Obrigado Esther!

Esta é uma parte da casa.

Como diria Gertrude Stein: "A rose is a rose is a rose," mas esta era espectacularmente enorme.

Podia ser um dos meus contos paranormais, a aranha e a abelha distraída. Foi uma limpeza, a aranha embrulhou-a em teia e deixou-a alí para a comer ao almoço. Foto tirada às 07:00.

Além de o terreno circundante à casa ser enorme tem também um velho moinho em ruinas, mas quase completo, só lhe falta o telhado.

24 June 2008

A 5ª Feira de São Martinho do Porto

Aconteceu no passado fim-de-semana. Lá estiveram 16 ceramistas vindos de Norte a Sul do País, empenhados em dignificar uma arte por muitos considerada uma arte menor. "Menor é quem a considera como tal". Ceramistas que se preocupam em criar obras contemporâneas seguindo as suas preferências estéticas não são menos artistas do que quem pinta uma tela ou molda o ferro, a pedra ou a madeira.

Quero ainda frisar que esta feira não é mais uma feira de artesanato, mas sim uma MOSTRA DE CERÂMICA ARTISTICA CONTEMPORÂNEA. Mostra essa que se tornou um evento único neste Portugal à Beira Mar plantado, graças ao empenhamento do ceramista Jean Dominique Ferrari e da Camâra Municipal de Alcobaça sendo ainda apoiada pela Junta de Freguesia de São Martinho do Porto e da Casa da Cultura José Bento da Silva

Ricardo Casimiro

P.S. A todos os meus parabens e um grande obrigado pela hospitalidade. A quem comprou obras minhas o desejo sincero de que as desfrutem com tanto prazer quanto eu quando as criei.
Vejam no link abaixo um video relativo ao meu trabalho (conversa entre Jean Dominque Ferrari e Ricardo Casimiro).
http://www.youtube.com/watch?v=GRf6D4R-34g

15 June 2008