29 March 2009

Sou um sapo

um sapo folha que vive camuflado no chão da floresta e o meu pai chama-se Ricardo Casimiro.

I'm a leaf toad which lives disguised on the forest ground and my dad is Ricardo Casimiro.


26 March 2009

As lulas também vão à Opera. (Squids also go to the Opera.)

da série "Contos Paranormais"/from the series "Paranormal Tales"
dim: 23x11x06cm
grés/stoneware



21 March 2009

Um anarquista no Reino de Sião

Peça em grés, 2006, da série "Contos Paranormais".



17 March 2009

15 March 2009

Pormenor


da peça "Um camaleão com mais olhos que barriga"

14 March 2009

Moda

Meias com costura, 2003

11 March 2009

Eminência Parda

Fui alcunhado de Abutre e estou no acervo do Museu de Olaria em Barcelos



09 March 2009

A Barbie fez 50 anos. Big deal!!!

Algumas destas bonecas têm mais de 100 anos e estão todas a viver na minha sala de estar.

08 March 2009

Recantos do meu atelier


Na primeira imagem podem ver a minha mini-montra. O armário e toda a zona envolvente foi concebida por mim e um verdadeiro quebra-cabeças para o carpinteiro que o executou.
Na segunda imagem outra preciosidade, um painel de azulejos de Arte Nova e Arte Deco da Fábrica de Sacavém, comprados a pouco e pouco na Feira da Ladra e óbviamente endrominado por mim e uma verdadeira dor de cabeça para o pedreiro que o montou sob a minha supervisão.
PS: A envolvente do painel é feita com a minha adorada pedra de liós executada por um extraordinario artesão do antigamente que muito apreciava trabalhar para mim, pois também ele amava o que fazia com a pedra.

06 March 2009

Não têm pão?! Comam bolos!

Foi por causa desta e de outras bocas que a Marie Antoinette "perdeu a cabeça".

28 February 2009

O mundo do Ai-ai

Peça em grés, 2007

Este era um projecto para uma exposição de cerâmica, o qual eu pus de parte, mas aqui vai hoje a explicação do projecto.

O ai-ai é um mamífero nocturno de nome científico “Daubentonia madagascariensis”, esquivo que vive nas florestas tropicais de Madagáscar e considerado em vias de extinção. Dorme em troncos ocos entre 10 a 15 metros acima do solo durante o dia e vagueia durante a noite em plena escuridão.

A partir deste facto imaginei um mundo de escuridão total onde todos são presa e predadores, onde os perigos espreitam por toda a parte. O que quase ninguem sabe ou pelo menos ignora ou não tem consciencia disso é que em Portugal continental e ilhas e não só os Ai-ais abundam. Não como mamiferos em vias de extinção mas em expressões da lingua portuguesa.

Pus-me a pensar e a observar e aqui vão alguns exemplos:

Ai que medo!
Ai que susto!
Ai que horror!
Ai que triste!
Ai que bom!
Ai que dor!
Ai que maçada!
e também os há em du ou triplicado:
Ai ai, isto não é nada bom.
Ai ai que me vou tramar.
Ai ai que isto assim não dá.
Ai ai, isto ainda vai piorar.
Ai ai ai ai ai, ainda te dou dois açoites.
Ai ai ai ai ai, vê lá se queres levar.

Outros ais haverá que me passaram ao largo.

A eventual exposição corresponderia a figuras híbridas, antropomorficas fruto do meu imaginário de criaturas rastejantes e trepadoras múltiplos de perigos, temores, horrores e prazeres com que todos lidamos diariamente sem nos apercebermos deles, para a nossa própria sobrevivência.

O esquivo mamífero pode estar em vias de extinção mas enquanto houver um português haverá sempre um ai ai.

Ricardo Casimiro



22 February 2009

Limões

O da esquerda fez o limoeiro em 2009
o da direita fiz eu em 2000.

21 February 2009

As minhas primeiras peças

Estas peças foram feitas no ano 2000 e acreditem ou não foram feitas após ter aprendido a fazer uma bola. No dia em que aprendi a fazer uma bola trouxe barro para casa e comecei a minha carreira de autodidacta na cerâmica.



14 February 2009

Happy Valentine's Day

Kiss, kiss...

Foreplay....

The act....

Hedgehogs do it slowly and with extreme care.

08 February 2009

Orgasmo de limão

Receita

1 lata de leite condensado
4 iogurtes naturais
raspa e sumo de um limão

Bater tudo junto e congelar. Retirar do congelador algumas horas antes de servir.


Obras de Heitor Figueiredo em S. Martinho do Porto, 2008.

A receita acima mencionada é a de uma mousse de limão que há alguns anos tive a oportunidade de provar num jantar em casa de uma amiga. Quando a provei tive a ideia de baptizar aquela mousse como "um orgasmo de limão". Mas a que propósito é que isto veio agora à baila?

Ontem fui com o meu amigo Roland ao Bairro Alto ver a exposição de esculturas cerâmicas do Heitor Figueiredo. Basicamente a exposição é composta por uma série de pequenas caixas de madeira (reciclada) com "cacos" mágicos de cerâmica feitas pelo Heitor e algumas peças maiores. O efeito visual que eu tive ao chegar foi o mesmo que senti quando provei a tal mousse de limão. Desta feita o resultado foi o de "um orgasmo visual".

PS: Aconselho vivamente uma visita à Galeria Novo Século e atenção que só lá estará ate dia 21 de Fevereiro. A galeria fica na Rua do Século no sentido ascendente, do lado da Calçada do Combro, aquela que vai do Largo de Camões em direcção à Estrela...

06 February 2009

Mais um bicho

21x11x08cm, grés

Resultado final após três cozeduras.

05 February 2009

A formiguinha não para de trabalhar

27x14x08cm

Mais uma peça em grés, esta sem título....

04 February 2009

Heitor Figueiredo em Lisboa

Exposição de Escultura Cerâmica de Heitor Figueiredo intitulada “Cacos Mágicos na Cabeça Gorda" inaugura dia 5 de Fevereiro pelas 22 horas.
A exposição estará patente ao público de 5 a 21 de Fevereiro de Terça a Sábado das 14 às 19 horas na Galeria Novo Século, Eléctrico: 28, Metro: Baixa Chiado, Rua do Século 23.

"Heitor Figueiredo transporta-nos para um mundo de fantasia, pouco comum nos adultos. Um universo onde a imaginação é rainha e tudo é possível, desde as formas tão caracteristicas do autor à sua extraordinária paleta de cores a que já nos habituou."
Ricardo Casimiro

PS: A peça aqui fotografada foi adquirida por mim no ultimo encontro de ceramistas em S. Martinho do Porto em Junho passado.

01 February 2009

MECENAS PROCURA-SE/LOOKING FOR SPONSORS

Obra de 2008 agora revelada

Patrocinadores, galerias de arte e museus para projectos inovadores. URGENTE!
Sponsors, art galleries and museums for new projects. URGENTLY!

29 January 2009

Se os animais falassem

A caracoleta gorda e anafada de casca riscada e luzidia cruzou-se com uma lesma e exclamou - "Ai coidadinha, olha lá, foste despejada ou és uma sem-abrigo?"
Ao que a lesma respondeu - "Olha lá ó madame escargot, nem uma coisa nem outra, sou só uma lambisgoia desfrutada pronta para ser comida."

Ricardo Casimiro

22x12x09cm, grés
Fantasia de Carnaval

20 January 2009

Há dias assim...

...em que o sono não chega e as noites são longas. Então algumas vezes sento-me ao computador e aproveito para fazer pesquisas. Ontem decidi voltar a pesquisar Hieronymus Bosch e li muita coisa, até chegar a este video. Foi então que eu fiquei estupefacto e incrédulo. Não com a montagem mas com a voz e a canção que desconhecia totalmente. Continuei a pesquisar agora o nome Klaus Nomi e a surpresa continuou quando num outro video a voz adquiriu corpo, roupagem e expressão. Já hoje de manhã voltei ao Google e descobri a letra de "The Cold Song" de Henry Purcell, que aqui transcrevo. Só me apraz dizer que ainda há/houve por aí muitos génios desconhecidos.
PS: Para mais videos de Klaus Nomi procurar no Google.





Cold Song by Henry Purcell (1659-1695)
from the semi-opera "King Arthur", 1691
act 3, prelude and ari
text by J. Dryden

Cold Song (performed by Klaus Nomi)

What Power art thou,
Who from below,
Hast made me rise,
Unwillingly and slow,
From beds of everlasting snow!

See'st thou not how stiff,
And wondrous old,
Far unfit to bear the bitter cold.

I can scarcely move,
Or draw my breath,
I can scarcely move,
Or draw my breath.

Let me, let me,
Let me, let me,
Freeze again...
Let me, let me,
Freeze again to death!

17 January 2009

A caprichosa

Todos os dias e já há alguns meses a minha televisão presenteia-me com a TVE em vez da RTP no canal 1. Vá-se lá saber porquê. Como o comando original já foi para o lixo parece que não há nada a fazer - não quer dizer que eu não veja a RTP, tenho a TV Cabo.
Hoje quando liguei a televisão fui presenteado com uma coisa que há séculos não ouvia. Tem portítulo, e em espanhol soa-me uma delícia, "El vuelo del moscardón", de Rimsky Korsakov. Daí que tenha escolhido esta peça para ilustrar esta publicação.


13 January 2009

O princípio de uma boa amizade


Há cerca de três anos vendi duas ou três peças pequenas a um casal de espanhois. Conversámos imenso pois ela, de nome Almudena, gostou muito das minhas estórias nos "Contos Paranormais" pois ela própria é uma contadora de estórias. Ele é cozinheiro e tem um restaurante nos arredores de Barcelona. O restaurante tem um nome que eu acho muita piada. Chama-se "A Quinta Forca". Ao que parece em tempos longinquos e conturbados foram erigidas quatro forcas em Barcelona. Já nos arredores foi erigida a Quinta Forca, "parece que não tinham mãos a medir"....
Duas ou três semanas depois decidi empacotar uma peça e enviá-la gratuitamente ao Xavier Fabra. A peça chama-se "O galo murcho" e foi posto em lugar de destaque no restaurante.
Desde esse dia que o Xavier me envia a ementa do restaurante em catalão. Sinceramente devo dizer que não percebemos quase nada, mas que a ideia é gira, lá isso é.

PS: Este restaurante tem a mesma ementa durante algum tempo e depois muda tudo. Que ninguem se atreva a pensar em tapas e outras comidas rascas espanholas.... A coisa é fina!

QuintaForca
Tast

Gotet calent de bolets,porros i quinoa.
Recordant el Japó.
Bomba de bacallà,escarola,cítrics i magrana.
Carxofa i carxofa amb fresc de formatge.
Patata esparracada sobre trinxat de col i arengada de la costa.
Sopa d`all,ou escalfat i foie.
Fesols i calçots confitats amb sèpia i sobrassada.
Caneló de gall de corral i ceps.
Galta de vedella amb salsifins i pera al vi.
Tast de formatges.
Postres per pecar una estona mes.
42 e.
Casafort (Nulles- Tarragona) 676.939.859 – 977.050.080
www.quintaforca.cat

11 January 2009

O cobrador de impostos

Mat: grés; Dim da moldura: 40x59cm

Palavras para quê? Marreco, intrépido cobra o que têm e o que não têm e quando não lhes resta mais nada leva-lhes a alma.
Alcunha: o carniceiro do rei
PS: Esta é uma obra de 2003 quando eu decidi fazer cerâmica para pendurar na parede, depois de estar farto de ouvir dizer - "Ah, é muito interessante, mas já não tenho onde pôr mais nada."
E eu pensava cá para mim - "Pois, se fosse um quadro numa galeria de arte comprava, já que um bocadinho de parede arranja-se sempre...."
Nota: Se clicar na imagem pode vê-la aumentada.

09 January 2009

A vaga de frio e a minha ida à Alemanha

Sendo natural de Setúbal e residente em Lisboa há 44 anos, sou um priviligiado em relação ao estado do tempo. Nos primeiros dias na Alemanha fui a uma grande superfície para fazer algumas compras de supermercado. Ao subir numa escada rolante observei que na escada descendente ao lado da minha uma mulher retirou da parte lateral da escada uma pala prateada enroladinha e pô-la no seu carrinho de compras. A pala é similar à que todos os portugueses pôem no tabelier do carro no Verão. Então eu pensei - "Esta mulher é doida! Só porque a pala deve estar de saldo ela vai comprá-la em Dezembro?"
Alguns dias depois o tempo piorou e começou a formar-se gelo durante a noite. Foi então que uma manhã eu comecei a ouvir um barulho vindo da rua de "rasp, rasp, rasp....." Intrigado pensei que raio de barulho é este às sete da manhã? Subi a persiana e investiguei. A explicação era bem simples: os carros ficam cobertos de gelo e toda a gente começa por raspar o gelo dos vidros antes de porem o carro a trabalhar, além de que toda a gente pôe a célebre pala prateada do lado de fora do parabrisas para evitar o gelo e terem menos para raspar.
Na véspera de Ano Novo o tempo piorou ainda mais e novamente de manhã bem cedo comecei a ouvir um barulho de "crunch, crunch, crunch..." que me intrigou. Nessa manhã quando saímos de casa e nos dirigimos ao carro, eu percebi o que era: o chão estava coberto de grandes cristais de gelo que ao serem pisados faziam o tal barulho. À noite, no mesmo dia, todo o chão estava coberto de gelo mas agora lisinho e um autentico ringue de patinagem. Era muito difícil andar sem escorregar.
PS: Felizmente quando cheguei a Lisboa estavam 14ºC. Mas foi sol de pouca dura.....

06 January 2009

Balanço de 2008

Peça de suspensão em grés
Dim: 39x19x12cm
Esta peça nunca foi exposta nem publicada no blog. Faz parte das 150 peças que executei durante os 8 meses em que trabalhei em 2008. Organizei trabalhos para três exposições diferentes. Infelizmente nenhuma viu a luz da ribalta nem nenhuma saiu do meu atelier.
Espero que 2009 seja melhor que 2008, porque estou quase a perder a pica....
PS: Hoje deixei o forno ligado para cozer mais 12 peças, que vão somar a todas as que fiz em 2008. Qualquer dia não me posso mexer no atelier....

03 January 2009

Natal na Alemanha

No dia 28 de Dezembro fomos tomar um "brunch" a um sítio muito interessante porque no exterior havia várias cercas com diversos animais, desde gansos, cabras, um porco vietnamita, vários cavalos e burros. No interior além da sala de refeições havia um picadeiro. A temperatura exterior nesse dia era de -5ºC.

A superfície que se vê no poço é gelo.

Este puto achou que com uma pedrinha ia conseguir partir o gelo....

Abrigo

Podia ser uma "Sagrada família asinina".

20 December 2008

Auto-retrato


Sou um carrapato, bicho do mato de mau feitio e mau trato.

Serve esta publicação para informar que até à primeira semana de Janeiro este blog vai ficar mudo. É que vou passar o Natal e o Fim do Ano à Alemanha com o meu amigo Roland e a família dele.

13 December 2008

A crise e o quotidiano na cidade

O autocarro parou no Campo das Cebolas. Ao meu lado seguiam dois rapazes de 14 ou 15 anos. Lá fora havia uma roulotte de venda de farturas. Um dos rapazes disse - "Olha, se tivessemos saido aquí podiamos ter comido uma fartura."
Entretanto ele viu o preço das farturas e exclamou - "É pá, uma fartura já custa um euro, a crise chegou às farturas!"
Aqui o outro rapaz disse - "Tás enganado, antes pelo contrário, a crise começou por causa das 'farturas'."

PS: Eu só pude rir por dentro e pensar - "Afinal a juventude não é toda cabeça no ar."
Ricardo Casimiro