29 June 2007

Outros criativos em cerâmica

Foi com grande alegria que tomei conhecimento de novos blogs em cerâmica. Para quem não tenha reparado, juntei dois blogs à lista dos amigos. O Zé da Cunha e o João Gomes. Da cerâmica deles eu gosto muito, mas acima de tudo gosto deles como pessoas, abertas, sinceras, sem manhas, subterfúgios, palmadinhas nas costas e acima de tudo muito criativos.

Pega velha foi ao baile



De volta à cerâmica do Ricardo Casimiro. Não vendo nada mas divirto-me muito a dar asas à imaginação.

Marmelos

Tintoretto (1518-1594)
"Lady revealing os marmelos"
Assim por alto isto são uns marmelos prá aí com mais de 400 anos. Apesar da idade pode ver-se que a fruta está bem conservada.
(Museu do Prado, Madrid)

Enganar Tolos

Sempre achei incrível o que os publicitários inventam para vender um produto. Os detergentes têm um não sei quê que os torna infalíveis. Os oleos, os iogurtes, os bífidos activos, Omegas 3, etc, etc.
Eu ouço e sorrio. Dito isto cá vai a última.
Estava eu esparramado no sofá em frente ao televisor em Madrid quando vi e ouvi o impensável. Um anuncio a um creme para revitalizar a pele e remover manchas da idade, com (pasme-se) extracto de baba de caracol, pela módica quantia de €79.
Imaginei logo alguma rata velha mais sábia e matreira deitada nua e húmida numa banheira com dois ou três quilos de caracois, a babarem-se e a rejuvenescê-la. Ou pelo menos a fazerem-na reviver outras lambidelas... e por muito menos dinheiro.
Viva o caracol!!!



27 June 2007

"Picotas"

Um prato de picotas, quer dizer cerejas em espanhol.
Picotear quer dizer em espanhol petiscar, comer diferentes coisas sem ser uma refeição quente.

No avião o comandante avisou os passageiros que deviam manter o cinto "abrochado".
E eu, claro, passageiro bem mandado, assim o mantive bem por cima do pirilau e com um sorrisinho malandro...

A burra e o vândalo

Fui ao Museu do Prado. Depois de 7 minutos na fila lá chegou a minha vez. Controlo rigoroso como se impõe num museu de tais dimensões. Mochila num tabuleiro e lá vai ela ser "radiografada". Aí apareceu a "burra" que me diz:
-A mochila tem que ficar aqui!
Eu que tinha visto tanta gente à minha frente passar com tudo e mais alguma coisa perguntei-lhe em espanholês, -Claro! Olhe lá e aquele homem que vai ali o que é que leva às costas? Uma mochila, não é?
-Ah, mas é mais pequena...(pois, pois)
Então tirei da mochila os óculos porque sem eles não valia a pena entrar, e a carteira para pagar os €6 da entrada, claro.
A minha reacção foi ir direitinho à Sala 56 para ver o "EL Bosco", que é como eles chamam ao Bosch. Chegado lá constatei que as figuras são minusculas e que com óculos ou sem eles, à distancia não via nada.
Vai daí fui à loja do museu e comprei um livro de €11,90 e nem 15 minutos depois de ter entrado já estava de saída. De volta ao "bengaleiro" apareceu-me a mesma loura que me devolveu a mochila, onde para que conste só estava um guia de Madrid, um bloco de notas e um boligrafo (esferográfica em espanhol). E bem à portuguesa atirei-lhe à queima roupa: -Ouça lá, eu fartei-me de ver malas, sacos, mochilas e até cadeirinhas de bébé, com e sem bébé. Isto assim é uma MIERDA!

À loura burra disseram-lhe: -Mochilas não entram (e pronto)!
O vândalo assim ficou desarmado.

De Espanha nem bom vento nem bom casamento.

Quer dizer, a viagem a Madrid foi debalde. As duas galerias que eu tinha selecciondado para visistar foram um desapontamento.

-Gosto muito do seu trabalho mas não temos clientes para cerâmica. O seu trabalho é muito interessante mas não se enquadra no meu projecto como galerista.
E assim voltei três dias mais cedo.

17 June 2007

Trio Ensemble

Aqui pela primeira vez juntos o rato dá cambalhotas, o cão bate pratos e o macaco toca violino. O rato é uma aquisição recente do eBay, o cão, o único que funciona, foi comprado numa feira de velharias e o macaco foi o único brinquedo que recebi na infância como prenda de Natal.
O meu pai tinha passado pelos racionamentos da 2ª Guerra Mundial e por isso dava muito valor ao dinheiro (não era totalmente forreta) e no Natal só recebiamos sapatos, meias e camisolas de lã.
PS. Dedicado aos Saltimbancos que eu tive a sorte de ver na minha infância, quando ao som estridente de um tambor, um homem acompanhado em geral de um filho, um banco, uma garrafa e uma cabra, gritava: -Vai trabalhar a cabra. Venham ver!
E não é que a cabra se equilibrava mesmo com as quatro patas no gargalo da garrafa!!
Apetece-me dizer que as cabras já não são o que eram antes.

Atenção amigos deste blog. Nos próximos dez dias não haverá noticias neste blog. É que como este país trata tão bem os seus artistas eu vou a Madrid para pedir esmola à porta do Museu do Prado. Não será bem assim, mas vou contactar galerias de arte em Madrid.

16 June 2007

Um dos tesouros do Ricardo


Durante muito tempo costumava dizer que coleccionava colecções. Uma delas eram postais antigos e outros encontrados em viagens ou em "lojas de museus". Hoje quero partilhar um dos postais mais divertidos. Chamei-lhe "o noivo", e já vão perceber porquê.
No verso do postal está escrito: Destinatário - Menina Gracinda Cardoso, Em casa do Sr. Goltz, Figueira da Foz, Buarcos.
O texto reza, 16-2-44: "Minha querida...
Como já a muito tempo não nos vemos, enviu-te o retrato do teu querido noivo. Achas que istou bonito? Tem muitas saudades de te ver e abraçar. O sempre teu. Noivo."

PS: Este post é dedicado a uma mulher a noites que tive, é verdade era mesmo a noites. Trabalhava das 20 às 24. Empregada essa que me deixava bilhetinhos a dizer por exemplo: "Menino Ricardo, é precizo comprar assucar." ... e outras preciosidades.

15 June 2007

Macho Latino

Agora que o Verão está a chegar, vamos vê-los a fazer peito desfilando à beira-mar ou deitados na toalha com olhares de matador. Como este, aqui caricaturado em forma de sapo inchado.

12 June 2007

Delicatessen




Cogumelo alucinogéneo
-Desculpe, viu o quê?
-Não, não! Já está a alucinar.

10 June 2007

Cerâmica do Peru





Muito antes de decidir pôr as mãos na massa e fazer fosse o que fosse em cerâmica já tinha um bichinho dentro de mim, como um vírus, e sem saber coleccionava peças em cerâmica que me deslumbravam. Estas três peças são cópias autorizadas de peças peruanas do século não sei quantos (aí sou um pouco ignorante). Talvez alguém se lembre de ter visto peças similares no Pavilhão do Peru durante a Expo 98. Eu vi.

09 June 2007

Sexo (Seja lá o que isso fôr)

Sugestões de leitura para os mais distraídos ou alheados



"Os melhores contos de Sade"
Círculo dos Leitores

"Demasiadamente belos para quem só não queria estar só"
de Sergio M. N. da Costa Silva
Editor Alberto Pidwell Tavares

"O anatomista"
de Frederico Andahazi
Editorial Presença

"O viúvo"
de Fernando Dacosta

"Livro de sonetos eróticos"
de José Maria Barbosa do Bocage

"...anda pretinho mete mais, mete mais...
disculpa sinhora mim não ter mais.

Um escritinho de Ricardo Casimiro
O clitóris, esse ser pequenino, tantas vezes ignorado e eternamente incompreendido, vive escondido nas gretas e rachas da vida. E nas outras também.

07 June 2007

Qual loja do chinês qual quê!

Vista Alegre - Art Deco: Argola de guardanapo

06 June 2007

O que é doce nunca amargou

Peça cerâmica com dono

Uma estória real
Em Setúbal de onde sou natural, há muitos, muitos anos existiu uma mulher "meio" atrasada mental que vivia com um estivador numa casa muito pobre. O natural desleixo era tanto que lhe chamavam "a porca suja".
Acontece que por razões que só ela conhecia, mas divulgou na sua infantil ingenuidade, trocou o estivador por outro homem.
Quando lhe perguntaram: -Então porca suja, porque é que encornaste o teu homem?
Ela respondeu:-Ele batia-me e chamava-me porca e nunca me tratou por "miga quida".

Ricardo Casimiro

05 June 2007

A torre de marfim e o fecho-eclair

A torre de marfim é também Torre do Tombo e a minha piramide onde me enclausuro rodeado dos meus tesouros. Tesouros onde não há prata nem ouro mas quiçá uma prata de bombom ou uma peça de cerâmica encontrada na feira de Algés há alguns anos.

Sylvia a trinca pila


Andava a pata Sylvia a debicar no jardim quando se lhe deparou um pitéu. Uma suculenta minhoca gorda e preta a que ela não resistiu.

Dedicado a João Soares e ao seu post "Sylviaatricapilla".
Não resisti!!!

03 June 2007

O ceramista vai nú


Depois de ter publicado "Sete coisas vezes sete" tive um pouco a sensação de estar em cuecas à espera do Metro em hora de ponta. Mas isso é também como me sinto sempre que exponho publicamente o meu trabalho em cerâmica. Porquê? Porque o tipo de escultura cerâmica que faço é mais revelador do meu eu interior do que uma consulta no psicanalista.
Dito isto quero mostrar-vos uma composição que exemplifica o que disse sobre bonecas, brinquedos, tecidos e rendas antigas.



Ficha técnica:
Pano de fundo seda moiré
Gola de renda cerca de 1910
Boneca de tela prensada normalmente usada aplicada em almofadas

Composição dedicada ao falecido pintor Mário Botas e ao título de uma ilustração dele que eu transcrevo aqui traduzido do francês.

"Se o Papa quisesse casar, eu não poderia apresentar-lhe senhora mais virtuosa."





02 June 2007

7 coisas vezes 7

A minha amiga Teresa Freitas do blog terras de argila lançou-me o desafio de escrever sete coisas que:

7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:
-viver, fazer testamento, evitar lugares comuns, matar os meus demónios, marcar a diferença, cultivar as minhas amizades, e sobretudo deixar de fumar.

7 coisas de que mais gosto:
-a minha torre de marfin, os meus amigos, sexo (seja lá o que isso for), molhar os pés na praia, contemplar o pôr do sol (e esperar o lusco-fusco), beber água quando tenho sede, comer pão quente com manteiga.

7 prazeres fúteis:
-pastar no sofá, tomar banho de imersão, coçar-me, espreguiçar-me, matar o tempo. olhar o mar, comer caracóis.

7 coisas que mais digo:
-faço isso depois...(adiar, adiar, adiar), pois pois..., nem que a vaca tussa!! ora bem (em jeito de balanço), o que é que se passa aqui (normalmente digo por outras palavras), todas as asneiras imagináveis e inimagináveis, tá bem tá...

7 coisas que faço bem:
-dar asas à imaginação transformando ideias em arte cerâmica, usar e tirar partido da língua portuguesa, cozinhar seja o que for, expor o meu trabalho em cerâmica, aproveitar-reciclar-compostar, gastar dinheiro, envelhecer.

7 coisas que não faço:
-tratar mal os animais ou as pessoas, desrespeitar a natureza, comer mão de vaca, ir a estádios de futebol, tirar macacos do nariz em público, beber leite quente ou com açúcar, comer comida de plástico.

7 coisas que me encantam:
-bonecas, brinquedos, tecidos e rendas antigas; o cheiro a pão acabado de cozer; os sabores de mil e um queijos...; filetes de laranja cobertos com chocolate; a complexidade da vida animal; aranhas, aranhiços e aranhuços; o som do marulhar.

7 coisas de que não gosto:
-estupidez humana, mentirosos, pessoas que falam mas não escutam, pessoas que olham mas não vêem, mau gosto (=lojas do chinês), coisas ou pessoas muito doces, fechos-éclair (não há nada a fazer...prefiro botões).

Mulher que não sabia guardar segredos

Todos nós sentimos às vezes que carregamos um peso às costas. Eu acho que é um pequeno diabinho encarregado de nos fazer cair em tentação...

Coisas de graça
A D. Graça após a comunhão, sentindo-se em estado de graça, de alma lavada e leve como uma pena, pronta para voltar a pecar, segredou ao ouvido da Alzira:
-Ai, mana, mana, este padre Graça é uma gracinha.

Ricardo Casimiro
(dedicado ao padre Graça que abandonou o sacerdócio e se casou com uma paroquiana.)